segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os belos dos presentes


Estive para aqui a pensar se deveria ou não escrever sobre este assunto, mas decidi expressar o que me vai na cabeça. Afinal, o blog é para isso mesmo.

Hoje tenho andado por essa blogosfera fora, e tenho visto inúmeros posts acerca dos presentes recebidos pelo Natal. Quase sem excepção, recebem-se vários - não um, mas vários - presentes vindos do(s) mesmo(s) ofertante(s), resultando numa contabilização bem grandota de presentes para uma mesma pessoa.

Aqui, atalho já - antes que me entendam mal - dizendo que cada qual sabe da sua disponibilidade, e no dinheiro de cada um manda o dono e ninguém mais tem nada a ver com isso. Certo e inegável. Mas estas constatações que tive hoje suscitam-me pensamentos, que se há-de fazer?! Assim, será que sou eu a única alien que acha mais do que suficiente dar e receber um presente por pessoa?... Pelo que estou a ver, este meu ponto de vista é a excepção, não a regra como eu achava.

Aqui, atalho novamente para dizer que não me move qualquer sentimento menos puro de inveja para com quem recebe muitos e muitos presentes. Eu própria claro que gosto muito de prendinhas, mas cheguei até a ter uma nano-mini-micro discussão com o meu mais-que-tudo, porque descobri que havia mais do que um embrulhinho para mim na árvore. Simplesmente acho que é mais do que suficiente receber um presente e dar um em troca. Para mais, nos tempos que correm. Para mais, quando não é preciso gastar-se muito dinheiro para fazer felizes as pessoas que amamos. Para mais, quando pessoalmente não dou qualquer importância ao valor financeiro do presente que recebo, pois privilegio a atenção e o carinho que estiveram por detrás da escolha, first and foremost.

Devo ainda explicar que eu própria recebi muitos presentes, tal como escrevi num post abaixo. Mas tenho uma família enorme, graças a Deus... Cá em casa, trocamos um presente por pessoa. Às vezes até nos agrupamos e oferecemos em conjunto. Não creio que sejamos nenhuns "agarrados" nem uns somíticos, até porque todos partilhamos uma filosofia de vida bem epicurista: passeamos, viajamos, comemos bem, desfrutamos da vida. Apenas não temos por hábito ceder muito ao espírito materialista que se apodera do mundo em geral nesta altura. E eu gosto que sejamos assim!

Outro exemplo que posso dar é o de uma amiga com quem falava hoje e que me disse que a mãe lhe deu imensos presentes que ela adorou. Conhecendo bem as pessoas em questão, sei que isso não significa esbanjamento, de todo, e que são presentes que vê de uma generosidade inesgotável. E na verdade, nada me diz que nos casos que eu li hoje, também não é assim!

De todo o modo, um dia, quando tiver filhos, certamente terei mais dificuldade em conter a vontade de lhes dar tudo o que estiver ao meu alcance. Mas tenho a convicção de que irei fazer como fizeram comigo: dar-lhes UM presente, aquele especial, e deliciar-me a vê-los felizes. Até porque, ao que vejo, as crianças cada vez dão menos valor às coisas que têm. Sim, fiquei chocada ao ler num dos blogues que sigo atentamente que uma criança recebeu dezenas de presentes (uns 60?!?!?) e ainda ficou meio de trombas. É de bradar aos céus.

Por último, obviamente que não pretendo atacar nem ofender quem quer que seja. Como eu disse no início, no dinheiro de cada um manda o próprio, e felizardos daqueles que recebem muitas coisas e o valorizam! O que se quer é que andemos todos felizes e contentes. Não podemos é acreditar todos nas mesmas coisas...

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