quarta-feira, 3 de março de 2010

Ontem ouvi uma coisa muito interessante.


Dizia um senhor na Prova Oral (era o convidado, mas não faço ideia do nome dele) que nós apenas invejamos aqueles que nos são próximos. Apesar de observarmos a vida dos nossos "ídolos", sabermos as quantias astronómicas que ganham, as vidas glamourosas que têm, as viagens que fazem, por eles sentimos uma espécie de admiração. Sabemos que o Cristiano Ronaldo, a Jennifer Aniston, e outros que tais pertencem a uma minoria com determinadas oportunidades que são vedadas (ou de acesso bem mais fortuito) à maioria dos comuns mortais.

Por outro lado, aqueles que nos estão perto e que possuem coisas ou a vida que nós desejamos, esses são o nosso objecto de inveja.

A inveja alimenta-se do que nos está próximo, precisa dessa horizontalidade de posições para a relativização das coisas fazer sentido. Precisamos de sentir que poderíamos estar naquele lugar para sentir inveja de alguém. E estas constatações, apesar de bastante lógicas, ainda não me tinham cruzado o pensamento.

Quanto ao conceito de inveja, já não tive oportunidade de ouvir uma discussão muito desenvolvida, mas ao que me pareceu, o senhor defende que se trata de um misto de sensações: ciúme + cobiça + o desejar mal a quem tem mais/melhor do que nós.

Não discordo dele e fico muito satisfeita. Porque sim, sou uma pessoa bastante ciumenta - shame on me; às vezes cobiço coisas que vejo, nos outros ou não, e penso que gostava de fazer ou ter aquilo, pelo que me lanço à vida para o poder concretizar. Mas até à data, nunca desejei ou senti algo de mal contra outra pessoa, por ela ter mais ou melhor do que eu.

Penso sempre que ou essa pessoa o merece, ou que se não o merece então a própria vida se vai encarregar de lhe trazer o contrário em idêntica proporção. É o que se chama justiça poética, karma, justiça divina... e essa vem tarde, mas nunca, NUNCA falha.

9 comentários:

Josefina disse...

É bem verdade!

Soul disse...

Concordo com o que o Sr. disse, de facto se reparar,os bem nos nossos "objectos" de inveja normalmente são coisas bem mais simples do que se imaginaria! Mas também concordo contigo quando dizes que podemos ser ciumentos, e cobiçar, mas daí a desejar mal a alguém só porque tem mais que nós, isso não, pelo menos eu não!

Beijinho

L de Leão disse...

Ainda não tinha pensado nessa perspectiva... Mas concordo plenamente ctg quando dizes que se uma pessoa tem é porque merece e, caso não mereça, a vida vai encarregar-se de fazer justiça. Faz-me bem pensar assim, acreditar na justiça!

Bags&Books disse...

mesmoooo!

Rita G. disse...

Concordo contigo! Há certas coisas que pessoas com muito dinheiro têm que eu também gostaria de ter, mas daí a desejar mal a alguém vai um grande passo. Nunca senti isso, nunca desejei mal a ninguém. Bj

VannD disse...

Naturalmente concordo com o que foi dito aqui. Creio que o que o dito Sr. disse respeita à maioria e não à totalidade, pois já tive o infortúnio de conhecer "gente" que inveja não só o que lhe é próximo mas também quem não conhece e vive do outro lado do mundo (e acreditem que não é admiração, mas sim inveja de morte).
A injustiça é algo com o qual não lido nada bem. Felizmente acredito no "Equilíbrio Cósmico" e sei que nunca se pode ser azarado para toda a vida. É uma questão de acreditar e aguardar. Em suma, ter fé.

Vee disse...

Acho que o que está próximo é mais facilmente alvo de inveja sim, porque nos é mais fácil "calçar os sapatos" do outro e nos vermos na sua posição.
Não sei se acredito tanto na teoria de que se uma pessoa não merece a vida se vai encarregar de fazer esse equilibrio. Não me parece, a vida é injusta por natureza.
Também acho que toda a gente sente inveja, apesar de não teres falado sobre isso no post, essa do não sentir inveja que às vezes se ouve, para mim é de alguém que não reconhece as caracteristicas da sua própria natureza humana.

veeny disse...

Realmente é uma verdade verdadeira :)

Olhos Dourados disse...

Sim, já me aconteceu gostar de ter algo igual a alguém que conheço. Mas daí a desejar-lhe mal é uma grande diferença.