terça-feira, 25 de maio de 2010

Crossroads


Hoje apetece-me falar do meu trabalho. Porque estou numa espécie de encruzilhada, onde tenho de optar por um dos caminhos. Para fazer essa opção, e porque me tento convencer de que a própria vida nos oferece as respostas de que precisamos, tenho tentado ler os sinais que estão à minha volta.
O problema é que os sinais que leio são mistos, o que em nada me ajuda.
Esclarecendo: eu sou (era?) apaixonada pela minha profissão. Sempre me vi a fazer o que faço, desde que optei pela área de estudos que segui. Sempre fui elogiada no meu trabalho. Sei que sou competente e - não vou estar com falsas modéstias - acredito nas minhas capacidades, de que já dei provas durante toda uma vida. Acredito no meu papel na sociedade; sei que é uma profissão digna e valorosa (ao contrário de tanto que se diz, anedoticamente ou não, e da fama - ou infâmia - com que a minha classe está conotada).
Oiço os meus colegas mais velhos falarem com paixão daquilo que fizeram durante toda uma vida, e identifico-me. Quando ajudo uma pessoa, sinto-me feliz e realizada.
Por outro lado, odeio o desrespeito com que sou recorrentemente tratada no exercício do meu trabalho. Acima de tudo, pelos próprios clientes por quem, acredite-se ou não, suo a camisola. Apavora-me a instabilidade que sempre tive e continuo a ter ao nível financeiro, principalmente agora que tantas novas responsabilidades se avizinham. Sinto-me desmotivada muito frequentemente por tudo isto, e isso faz com que muitas vezes (senão todos os dias) não vá feliz para o trabalho. O que é um contra-senso em relação ao gosto que nutro pela essência do que faço.
A conjuntura em que vivemos não determina melhorias para breve. E aqui, somos chegados à tal encruzilhada.

Há algum tempo, soube de uma oportunidade de concorrer a um posto de trabalho na função pública. Claro que não é nada certo, trata-se de um concurso público (para o qual vou concorrer honestamente, como é evidente!), em que vai haver centenas, se não milhares (acredito) de candidatos para 300 e tal vagas. Para fazer um tipo de trabalho que seguramente não me vai apaixonar. Para auferir um ordenado fixo, nada de extraordinário certamente, mas ainda assim certo e fixo. Para ser colocada em parte ainda incerta deste país. E eu não sei o que hei-de fazer.
Não me apetece deixar de fazer aquilo que gosto. Apetece-me não ter de me preocupar com o nosso sustento, com o sustento do filho que queremos ter, com o pagamento das contas e obrigações. Não me apetece investir tanto do meu tão escasso tempo, que não me chega para as tarefas que tenho em mãos, num estudo apressado para fazer meia dúzia de exames que não sei se me levarão a bom porto. Apetece-me continuar a ser profissional liberal, com toda a autonomia que isso acarreta. Não me apetece chatear-me tanto e tantas vezes.

Olhem, não sei que diga, não sei que pense, não sei que faça.

4 comentários:

with love fotos disse...

Querida Queen,

Acho que nunca serias feliz com um trabalho que não te complete. Sei que és apaixonada pela tua profissão, eu também gostaria muito de o ser pela minha :)

Compreendo perfeitamente a tua angústia e os teus medos, mas mudares por completo a tua vida por algo que não te realiza, não sei se será a melhor opção... :(

Beijinhos...

Rita G. disse...

Não gosto do que faço e acredita que isso me deixa trite todos os dias! Pensa bem, o dinheiro não é tudo...bj:)

Olhos Dourados disse...

Só tu podes decidir se é o melhor para ti.

Vee disse...

Alice: Would you tell me, please, which way I ought to go from here?
Cheshire Cat: That depends a good deal on where you want to get to
Alice: I don't much care where.
Cheshire Cat: Then it doesn't much matter which way you go.
Alice: …so long as I get somewhere.
Cheshire Cat: Oh, you're sure to do that, if only you walk long enough.

E tu, onde queres ir?