quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

He's just not that into you


Alguém se lembra daquele (^^) episódio do Sex and the City em que o Jack Berger, quando questionado pela Carrie e pela Miranda sobre o que achava em relação ao date da Miranda que se esquivou a algo dizendo que tinha uma reunião, disse clara e directamente "He's just not that into you"?

Esta frase já deu um livro de auto-ajuda e um filme romântico. Mas, essencialmente, gosto dela porque acho que é tremendamente verdadeira. Com esta frase, o Berger queria dizer que os homens são o que são: simple-minded, comparativamente com o mundo feminino. E que não vale a pena tentar reading too much into things, porque as coisas são o que são. Se o homem estiver interessado, o homem vai atrás, faz o que tem a fazer, no mínimo dos mínimos dá a entender a sua disponibilidade para. O Berger completava a sua ideia: "When a guy's really into you, he's coming upstairs, meeting or no meeting." (ou algo do género). Quando o homem não está interessado, geralmente não tem coragem para o dizer na cara da pretendente. Mas é bastante óbvio nas suas acções: foge, esconde-se, não aparece, não entra voluntariamente em contacto.

E eu, à medida que me torno mais velha e mais experiente, vou começando a perceber que não posso senão concordar com esta ideia - que, btw, saiu da cabeça de um homem. Ele deve saber o que está a dizer. Obviamente que é uma generalização, e todos sabemos o quão falaciosas as generalizações podem ser. Há excepções para toda e qualquer regra. Mas, na esmagadora maioria dos casos, concordo que seja mesmo assim, e que um homem que não devolve a chamada, que se esquiva a uma oportunidade, que tem sempre algo combinado, que não responde à mensagem, que não retribui um convite declinado por si um outro dia - simplesmente não está interessado o suficiente. Ou disponível. No excuses.

E por isso é que, cada vez mais, tento reprimir a sempiterna característica feminina de "fazer a leitura da situação". Por outras palavras, tentar encontrar explicações para tudo o que eles fazem e/ou dizem, tentar interpretar as suas mínimas reacções, tentar encontrar hipóteses que expliquem o curso dos acontecimentos. Isto é algo que, no geral, todas fazemos, e não é mais do que tentar arranjar uma boa* explicação para algo, explicação essa que nos permitirá continuar teimosamente a insistir no assunto, até que um dia a realidade nos bate à porta. E nesse dia, ele é que é o sacana, que nos manteve em banho-maria durante não sei quanto tempo e que já podia ter dito logo que não queria nada connosco, que somos mulherzinhas o suficiente para aguentar o tranco. Ele tentou, dear, ele tentou.

Sometimes it's just sad to watch.

*conveniente

1 comentário:

pensativa disse...

Bonito texto. Não é a constatação de um facto é simplesmente uma verdade absoluta sem dúvida. Arranjam-se todas as explicaçoes possiveis e mais algumas para o que é tão claramente obvio, mas então a verdade doi tanto....