quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sabeis o que vos digo?

Estou para aqui tão aaarrrrrgghhhhhhhh que nem sei o que diga! Anda uma pessoa com pezinhos de lã e o máximo cuidado com os oficiosos, porque são pessoas que também precisam de um serviço competente e capaz, e não é por terem menos posses que não têm direito a um serviço excelente, blah blah blah... Para quê?

Para só levar com gente tola e desvairada (não é associação com "gente de menos posses", é mesmo directamente referente aos que aqui me aparecem pelas vias oficiosas), o que na maior parte dos dias até dá é para rir, mas hoje, particularmente hoje, me faz ficar vermelha de fúria. Porque uma senhora completamente desequilibrada tem o desplante de me ameaçar e injuriar por telefone, depois de todos os cuidados e mais alguns da minha parte, em meu próprio prejuízo (porque se eu não tivesse tentado o melhor para ela, e fizesse o que ela pediu à SS sem olhar ao melhor interesse dela, ganhava mais €€€ do que pela via que aconselhei), depois de horas de trabalho perdidas, de nervos à flor da pele porque a senhora simplesmente não tem capacidade de entender o que se explica em linguagem comum. Nem consegue responder com clareza quando se lhe pergunta o que é que ela pretende mesmo - porque nós não podemos tomar as decisões de fundo. Depois as pessoas mudam de ideias e vêm responsabilizar-nos a nós. Nós só podemos aconselhar a melhor das vias.

O certo é que, após esse telefonema, dei imediatamente entrada de um pedido de escusa. E o que é que eu recebo pelas minhas horas dispendidas a trabalhar para a dita senhora? Pelos cabelos brancos que ganhei (God, espero que não)? Rigorosamente N-A-D-A.

Aliás, e voltando à minha pergunta inicial, já sei o que vos digo. O que estas situações me provocam, é que infelizmente comece a pensar igual àqueles que tanto critico: os que dizem que um defensor oficioso ou um patrono nomeado só lá estão para "pedir justiça", ou seja, não dão valor nem interesse aos oficiosos, privilegiando os clientes "pagantes". Eu sempre fui veemente em criticar quem age assim, e em defender que temos de trabalhar igual, quer estejamos perante clientes, quer estejamos perante oficiosos. Mas com tudo aquilo que as oficiosas me têm trazido (chatices, faltas de respeito, dores de cabeça), só me dá vontade de dizer "quem quiser que os ature". E fazer o mínimo, aquilo para que sou nomeada, sem me preocupar com nada, e tentando ganhar o máximo de dinheiro possível com as nomeações que tenho, porque sim, eu tenho de me matar a trabalhar para pagar as minhas contas. E ai de quem me censure por começar a pensar assim.

2 comentários:

Louise disse...

Qualquer pessoa tem o seu limite de paciência. Parece que atingiste o teu.

Mas reflecte um pouco: não haverá outros porque quem fizeste bem e que agradeceram?

Respira fundo e não penses muito nisso.

Queen of Hearts disse...

Lou,
Obrigada. Admiro a tua ponderação e calma, eu fervo logo por dentro. :) Sim, tens razão no que dizes, já tratei de assuntos a várias pessoas pela mesma via, que foram de uma correcção e de uma simpatia inigualáveis.
Mas, infelizmente, são mais, muitos mais, os que nos destratam como se tivessem algum direito de o fazer. Quando és repetidamente exposta à má-criação alheia, a paciência - mesmo a minha, que considero anormalmente grande - desvanece-se por completo. Mas isto tudo não passa de um desabafo; na prática não vou deixar de fazer o meu trabalho de uma forma profissional, e não mudei o meu ideal de dedicar uma quota do meu tempo a trabalhar para quem precisa e não tem meios de me pagar (mais uma vez, a meu prejuízo). Mas vou ser "apenas" profissional, fazendo estritamente aquilo a que sou obrigada, o melhor que souber e com a maior responsabilidade, nada mais do que isso. :) Simplesmente esgotei a paciência para "going that extra mile". :)