quinta-feira, 24 de março de 2011

E quanto ao FMI

Que me crucifique quem quiser. Todos temos direito à nossa opinião.

Alguém tem dúvidas que se o FMI intervier no resgate financeiro da nossa economia, vamos todos apertar o cinto até doer? Não. Mas alguém duvida, por outro lado, de que o povo continuaria a sofrer horrores com os sucessivos PEC repletos de medidas negadas e renegadas a pés juntos durante as campanhas eleitorais? Eu não. E ninguém devia duvidar.

Por aquilo que observo e sinto na pele, não tenho a menor dúvida que, mesmo sem a entrada do FMI em cena, o povo (os que trabalham a sério, ganham pouco ou uma miséria e são onerados como burros por tudo o que é lado) vai continuar a sofrer na pele as chibatadas que tem sofrido. Cada vez mais. Continuaria a sofrer com os PECs do governo PS, e sabe-se lá que governo lhe seguirá e que medidas iluminadas este trará. O que sei, é que o POVO é sempre quem paga as favas.

Se o resgate internacional acontecer, e o FMI intervier, a minha esperança é que embora tenha eu de continuar a dar do meu bolso, tenhamos TODOS que o fazer. Não só os reformados quase indigentes, não só os profissionais liberais que já não sei onde mais impostos podem pagar, as famílias que não têm como dar de comer aos filhos, porque ganham 500 euros cada um, têm renda ou crédito hipotecário para pagar, contas a suportar. Mas também os srs. administradores públicos e privados, os srs. governadores, os srs. deputados, enfim, todos aqueles que comem pela calada com os proventos do que nós retiramos a custo dos nossos bolsos já rotos. A minha esperança é que EFECTIVAMENTE se diminua a despesa pública.

Não se trata, como conversava no outro dia com uma amiga, de tirar aos ricos para dar aos pobres. Trata-se de justiça social: se os "pobres" são onerados, os "ricos" mais podem, e portanto mais onerados devem ser. Trata-se do princípio da igualdade: tratar igual aquilo que é igual, e desigual aquilo que é desigual. Trata-se, enfim, de não cavar um fosso, em que uma minoria é cada vez mais rica, e uma imensa maioria cada vez mais pobre. [Ainda] Não somos um país do terceiro mundo. [?]

E, por fim, não quero com este texto camuflar a realidade infelizmente cada vez mais vista de que há para aí muito calão que não quer fazer nada e ganhar muito bem, que se prefere endividar a fazer pela vida, que prefere ter muita coisa e manter as aparências enquanto deve a meio mundo, ou que se prefere encostar ao subsídio de desemprego ou ao rendimento social de inserção. Mas este texto é em consideração a quem estudou muito, como eu, trabalha, como eu, e se vê cada vez mais em dificuldades para conseguir o que se considere um mínimo de realização, como eu. E a quem sofre, efectivamente, com o desgoverno que por aqui (há muitos, muitos, anos) anda.

3 comentários:

Rita G. disse...

Concordo plenamente. Para mim o PEC era o mesmo que o FMI, mas apenas destinado a quem menos tem. Melhor não ficamos de certeza, mas se o FMI tiver mesmo de intervir, espero que não poupe quem tem reformas e ordenados mensais maiores do que eu ganho num ano!! bj

Sonhadora disse...

Infelizmente quem sofre são sempre os mesmos.. Seja PEC, seja FMI..!
O Zé povinho é que se lixa!

vanessa disse...

exactamente.lá está os grandes dizem que o FMI é a pior das soluções, que isto ainda vai sofrer mais, mas quem sofre mais o país ou todos nós? mais do que já sofremos?mandem mas é a ajuda para ver se isto vai lá de uma vez por todas.