terça-feira, 17 de maio de 2011

Até sempre.

Tu já não eras tu há muito tempo, e há muito tempo que não me recordava de como eras antes. Dantes. Agora partiste. E, de repente, as memórias fazem-se claras. Memórias de como me davas todos os dias os teus livros de figurinos, que eu adorava e folheava até fazer das páginas pergaminhos, de tanto que idolatrava aqueles vestidos dos anos 40 e 50; de como nos davas a sopa precisamente na hora do Popeye, para nos distrair enquanto a comíamos em corrida; de como nos ralhavas quando, à noite, nos fazíamos rir até o leite com cevada que nos davas nos sair pelo nariz; de como as comidas eram sempre as nossas preferidas quando lá almoçávamos... Tenho pena, avó. Pena que te tenhas perdido antes de partir, e pena de não poder ter-te dito de perto o adeus que repito na minha cabeça. Até sempre.