quarta-feira, 15 de junho de 2011

Opções.

Tive estes dias uma conversa sobre a iniciação na vida religiosa ou espiritual. Ou seja, para mim a questão prendendo-se com se devemos ou não baptizar o nosso filhote. A minha opinião sobre esse assunto não pode senão basear-se na minha própria experiência de vida... por isso, pela parte que me toca, penso que a opção está feita.

Eu fui educada de acordo com a Igreja Católica: fui baptizada, fiz catequese, fiz as duas comunhões. Por acaso não fui crismada (ou não por acaso). Embora eu hoje tenha uma opinião sobre a Igreja Católica que implica que eu não acolha todas as recomendações e não siga todos os ritos, mantenho a minha fé pessoal. Nunca me fez mal nenhum ter recebido a educação dentro dos parâmetros da Igreja que recebi. Quando tive idade para perceber e sentir aquilo que se identificava comigo, afastei-me do que não me interessava. Os meus pais jamais interferiram com essa minha opção.

Assim sendo, é isto mesmo que penso fazer com o meu filhote. Não o irá prejudicar de forma alguma ser baptizado, andar na catequese, fazer as comunhões. Se algo, pode ajudar a transmitir alguns princípios que em nada o prejudicarão. Se ele manifestar alguma opinião ou desejo contra isso desde pequeno (o que duvido, mas pode acontecer), eu respeitá-lo-ei. Se ele fizer perguntas "incómodas", responderei de acordo com a minha consciência e aquilo em que acredito, seja de acordo com os "manuais" da religião ou não. Quando ele tiver de tomar uma opção, seja abraçar essa religião, seja afastar-se dela, eu lá estarei para lhe dar um abracinho, ou seja, não julgando nem opinando.
A minha ideia, inclusive, é baptizá-lo logo em Dezembro próximo, porque não penso fazer nenhuma festa disso - apenas levar a cabo a cerimónia e fazer um almoço com a família chegada. E faço intenções de o começar a levar a Taizé ainda pequeno, porque tenho a certeza que isso só o pode ajudar a ser uma pessoa bem melhor e transmitir-lhe valores, paz e serenidade. Quando ele for crescido, logo decidirá aquilo que quer.

Creio sinceramente que o facto de o condicionar em tenra idade a integrar - teoricamente - uma religião não é limitativo (pois eu própria não sou largamente religiosa), nem o prende a rigorosamente nada. A preocupação que julgo ser verdadeiramente importante é com a PESSOA que o meu filho vai ser, e esse factor não vai derivar de ter ou não uma educação católica, e sim da que eu e o pai lhe soubermos dar. Dizer o contrário seria demitir-me dessa responsabilidade que quero abraçar com o maior empenho.

13 comentários:

Carla Maia disse...

Concordo. Acho que transmite pelo menos o que é certo e errado e isso é bom. Mas o nuno não quer!

Rita G. disse...

Tanto eu como o F. fomos baptizados e fizemos primeira comunhão em crianças, mas o facto é que hoje, adultos, a igreja e a religião católica não nos dizem nada. Para além disso não temos fé, não acreditamos em Deus, por isso optámos por não baptizar a Matilde, julgo que seria uma hipocrisia da nossa parte se o fizéssemos. Se tu e o teu marido têm fé acho bem que baptizem o vosso fihote. Acho que essa opção deve ser totalmente dos pais e ser feita pelas razões certas, não apenas pela festa como algumas pessoas fazem. bj:)

Julie D´aiglemont disse...

Eu também fui educada na religião católica, que não renego de forma alguma, apesar de não ser crente. Por isso, para mim o importante é: há festa ou não? Se houver festa, o baptizado é muito importante, ehehehehe

I. disse...

Sou suspeita, e já vais perceber porquê, mas dou a minha opinião na mesma (chata!).
Fui educada sem religião. Os meus pais casaram civilmente e não nos baptizaram, e na altura (anos setenta) foi um bocado escandaloso; nunca nos obrigaram a frequentar qualquer tipo de aulas de religião, mas também nunca nos deixaram de esclarecer quaisquer dúvidas sobre o assunto.
Sempre me deram a escolha, ou seja, quando tivesse idade para pensar no assunto logo decidia. Esta falta de educação religiosa aguçou-me a curiosidade, e desde pequena que sempre li e me informei, principalmente sobre o cristianismo. Tive as minhas dúvidas, procurei e não encontrei, e hoje posso afirmar que sou ateia.
Gosto muito que não me tenham vinculado desde a nascença a uma determinada religião, e me tenham dado a liberdade de encontrar o meu caminho. Sempre tive a liberdade de questionar o que queria, de perguntar, de procurar. É muito bom, apesar das angústias que tal percurso possa acarretar. Ninguém disse que a liberdade é leve.

Com a minha sobrinha está-se a passar o mesmo. Quando tem questões sobre religião e espiritualidade, responde-se com a maior honestidade. Quando pergunta sobre o que acontece depois de morrermos, eu respondo "não sei, mas acho que... há quem ache que... e há quem pense que... o que tu pensas ou achas fica a ti decidir."

Não ter educação religiosa não é sinónimo de ser amoral ou destituído de princípios. Acho que não saí mal de todo (embora possa haver quem discorde :P), mas acho que limitar uma criança a um caminho, ou prometê-la desde a nascença a uma certa visão do mundo é castrador. Sou pela liberdade de pensamento, sempre; e se há coisa que me chateia no catolicismo é a cena de baptizar um ser que não tem capacidade de decisão.

Engraçado falares no crisma: sabes que é a confirmação do baptismo? Se chegada à idade adulta, e capaz de o fazer, tu não o confirmaste, porque vais baptizar o teu filho? Não entendo. Coisas de ateu.

Queen of Hearts disse...

I., (part one)
Gostei muito de ler a tua opinião, exactamente por a tua experiência de vida ser tão diferente da minha, pelo menos no que à infância diz respeito. Pronto, não concordo com algumas coisas, mas é disso, da dialética, do confronto de opiniões, que é feita a filosofia! :))
Percebo perfeitamente o que dizes; foste livre de pensar como quisesses, foste inquisitiva, formaste opinião sem sujeição a nenhuma constrição da razão. E és ateia pela mesma razão que eu tenho a minha fé: porque é com isso que te identificas. E quanto a isso, tudo bem, é o sentir ou o racionalizar de cada uma.
Em relação à tua sobrinha, aquilo que dizes que se passa é exactamente aquilo que eu digo que vou fazer. Ou seja, mesmo baptizando o meu filho, quero que ele seja um cristão, ou um católico que seja, esclarecido. A cada pergunta que me faça, responder-lhe-ei exactamente da mesma forma que tu: "Não sei, mas na minha opinião... há quem ache que... cabe-te a ti formar a tua própria opinião." E se isso significar que ele me vai dizer: "Mãe, não quero fazer comunhão, etc., etc.", assim será. Sem problemas.
Queria também esclarecer com muito cuidado que eu não quis dizer que não ser educado religiosamente significa ser amoral ou destituído de princípios. NADA DISSO. :) Acho que as minhas duas últimas frases do post não deixam enganar. :) Apenas acho que a própria religião, de algumas formas, transmite princípios que - ao passo que podem igualmente ser transmitidos FORA da religião - enformam o carácter da melhor maneira. Nem todos serão "perfeitos", mas muitos são bons.
(cont.) - o damn blogger não me deixa escrever tudo de uma vez :(

Queen of Hearts disse...

(part two)
Não concordo quando dizes que "limitar uma criança a um caminho, ou prometê-la desde a nascença a uma certa visão do mundo é castrador". Primeiro, conforme escrevi, não acho limitativo, porque não pretendo nem permitirei que a educação religiosa do meu filho seja dogmática; ele certamente terá dúvidas e questões, e eu responder-lhe-ei com a verdade mais objectiva que conseguir, para que ele forme um pensamento próprio. Segundo, não creio que o esteja a prometer desde a nascença a visão alguma do mundo. Integro-o, sim, numa comunidade. A visão do mundo católica do mundo ser-lhe-á necessariamente passada por essa comunidade. Mas a intenção é SEMPRE de que prevaleça a visão DELE do mundo; quer ela divirja, quer ela se aproxime daquela. Sem castração da liberdade de pensamento!
Por fim, falei no crisma sabendo o que é, sim... :) Até pus entre parêntesis "ou não por acaso". Não fiz o crisma porque, como explico, a dado ponto afasto-me do catolicismo. Não renego as raízes que a educação católica me deu, nada de tão radical quanto isso. Apenas entendi a determinado ponto que, por mais que me sinta de alguma forma cristã, discordo de certos dogmas da Igreja, de alguns ritos específicos e de algumas directrizes comportamentais. Por isso optei por não confirmar a decisão que tomaram por mim. Com tudo isto, quero no fundo dizer que a minha liberdade de escolha NUNCA foi comprometida pelo facto de ter sido baptizada. Chegado o momento (numa idade em que já tenho uma consciência formada, e uma certa maturidade) de tomar uma opção, fi-lo. Sempre tive um espírito igualmente inquisitivo, curioso, sempre fiz muitas perguntas, sempre pensei muito. E foram estas as conclusões a que cheguei. Não ter educação religiosa não equivale decerto a amoralidade ou ausência de valores. Mas ter educação religiosa também não equivale a castração ou a tacanhez. Para um lado e para o outro, está-se dependente do mesmo: de quem educa! :)
Respondendo à tua pergunta final, é mesmo isso: como foi assim comigo e penso que resultou bem, embora a minha evolução pessoal não tenha sido aquela que talvez o catolicismo gostasse :), expectavelmente farei o mesmo com o meu filhote - e espero ter os mesmos resultados que comigo e o meu marido se obteve: mentes livres e autónomas. E um bocadinho boas pessoas, vá (presunção e água benta hehe).
Não foste nada chata e espero que possamos sempre continuar estas nossas dialéticas. :) Obrigada pelo contributo que aqui deixaste e que muito valorizei!
E isto é que foi dar ao dedo, bolas!... :)

Miss Star Pink disse...

É uma questão muito, muito complexa e que já foi debatida entre mim e o F.
Se por um lado fui educada de acordo com a religião católica, fui crismada, cheguei a ser acólita e até catequista, hoje em dia não me revejo nos ideias em que esta religião assenta.
É como tu dizes, mal não faz! No entanto e se chegarmos a um consenso qdo tivermos filhos serão somente baptizados. A catequese transmito eu em casa. Isto, pq infelizmente (não quero generalizar) há pessoas a dar catequese q moralmente não correspondem aos padrões pretendidos.

I. disse...

Ei, eu não acho que ser educado religiosamente acarrete tacanhez, como dizes, depende de quem educa, claro! E tenho o maior respeito pela opção de dar ou não educação religiosa.

Coloco-me é muitas questões, sou mesmo assim, muito coisinha e chatinha.
E até te digo mais: o meu mate é baptizado, "comunhado" e crismado. Se as primeiras foram por determinação familiar, o crisma fê-lo quando já tinha idade para ter juízo, pelo que foi uma opção livre.
Entretanto, desviou-se da igreja e mesmo da fé. Acontece. Não por minha causa (convivemos lindamente, o meu ateísmo e a religião dele ;P), mas porque as suas convicções foram esmorecendo. Ele diz que anda próximo do agnosticismo, mas isso queria ele (queria mesmo), mas não consegue. Porquê? Porque a educação religiosa e mística é como uma vacina, fica lá sempre. É muito difícil sair. Dito assim até parece que estou a falar de uma cena manhosa, mas não o faço por desrespeito, acredita. Mas vejo o sofrimento dele, que intelectualmente acha que Deus não existe, não é necessário, mas afectivamente continua seu filho e crente. E muitas vezes me repete que preferia não ter sido educado na religião, porque se cria uma dependência emocional que não se quebra, por muito que se queira.

Enfim, não é fácil explicar, mas continuo a achar que isto era um mundo melhor se as crianças fossem educadas não na religião (catequese inculca sempre o dogma, o catolicismo funda-se no dogma), mas na história da religião e da filosofia. Talvez então a crença se lhes revelasse, ou não. Mais ou menos como se fossem apóstolos a ouvir Jesus (ou Moisés, ou Maomé): a sua fé formar-se-ia sem apriorismos.

Mas fora esta visão diferente, tenho que concordar contigo, que a educação religiosa não tem de ser necessariamente castradora, ou tacanha, ou limitadora. Isso depende dos pais, e quanto a isso, parece-me que o vosso rebento os vai ter mais esclarecidos que muitos (nem fazes ideia do que eu sofri em miúda por não acreditar, não ser baptizada e não ir à catequese. Chatos que eram comigo os coleguinhas, pá!)

Queen of Hearts disse...

Pois, lá está, no exemplo dos miúdos teus coleguinhas reside a tacanhez que alguns educadores (e neste caso, coincidentemente, supostamente religiosos) transmitem às crianças! :x É isso que me irrita, e é por isso que eu estava a hiperbolizar os exemplos que estava a dar... Porque infelizmente os há, embora claro, não em todos os casos (como espero!).

Quanto à educação laica, baseada na história da religião e da filosofia, por um lado a ideia apela-me, mas por outro não. Realmente, como dizes, não é fácil explicar estas opiniões, mas vou tentar (God help me): Não me apela pelo lado preponderante, pelo seguinte - acho que o pensamento racional, pela sua própria génese e natureza, elimina necessariamente o lado místico ou espiritual. Ou seja, creio que, com base nesse género de educação (por mais apelativo que ele também pareça), muito difícil seria qualquer crença religiosa vir a surgir daí. É que, sem querer, também se formataria a pessoa para um tipo de racionalização que não coexiste facilmente com a crença, a fé... E, da mesma maneira em que pode ser legítimo "criticar" a imposição de um modelo religioso, eu não acho que também se devesse impor a sua ausência... Lá está, não é fácil chegar a uma conclusão isenta de falhas!
Olha, sabes o que te digo? É tentarmos fazer o melhor que soubermos... dentro daquilo que são as nossas convicções! :S
E obrigada pela parte que me toca ;)

Marabunta & Framboesa disse...

Concordo totalmente contigo! Independentemente da religião que no futuro ele optar, os valores que nos são ensinados durante a nossa vida cristã aplicam-se em qualquer outra religião ou filosofia de vida! :) são valores que ficam para sempre!

Pipita de Chocolate disse...

QoH, ainda não li todos os comentários, mas irei fazê-lo :) Concordo em absoluto com o que escreveste, porque penso que não encaminhar um filho em nenhuma religião sobre o pretexto de ele poder escolher, acaba por resular, na grande maioria dos casos, na ausência de crença em alguma religião. Não que isso seja um aspecto negativo. No entanto penso que os pais ao encaminharem os filhos num determinado sentido, estão a dar-lhe bases religiosas em que acreditam, e que mais tarde podem ser contestadas e postas em causa, acabando os filhos por seguir outros caminhos, ou não. Ou seja os pais estão a munir os filhos de algumas ferramentas, que em algum ponto da vida irão servir para verem se acreditam na religião que seguem, ou se caiem em descrença.

O exemplo cá de casa, eu e o marido: eu sempre fui educada na religião católica, fui baptizada, fiz a primeira comunhão, profissão de fé, vou à missa com regularidade e recentemente (há 1 mês) fui crismada! O que muito me orgulha pois foi sempre uma coisa que quis fazer, e fi-lo com a minha melhor amiga e tudo :) Já o marido foi educado na ausência de religião, por opção do pai, apesar de a maior parte da família ser católica, e obviamente não foi batizado. A religião nunca o atraiu minimamente apesar de ele dizer que tem fé, a sua fé. Casámos pela igreja, pois ele cedeu a essa minha vontade sem qualquer problema ou obstáculo.

para além de tudo isto eu considero-me uma pessoa com muita curiosidade acerca de muitos assuntos, especialmente ligados á história, pelo que para mim a religião também se trata de compreender muita da história da humanidade e há que ser interpretada à luz desses acontecimentos, dai eu não concordar com alguns dos procedimentos da igreja (a confissão por exemplo). Tenho a sorte de ter bons amigos muito ligados à religião católica que estão sempre prontos a esclarecer-me em dúvidas que me estão sempre a surgir!

Beijinhos grandes

Nokas disse...

Já falámos sobre isto e se fosse eu andaria indecisa. Sou apenas baptizada e não sou praticante da religião católica (ou de outra qualquer), não casei pela igreja porque não me identifico com teorias defendidas, nem com tudo o que se passa à volta da igreja. Mas tenho a minha fé, à minha maneira e é assim que a vou transmitir um dia aos meus filhos. Mas também não serão prejudicados se os baptizar...
Se o fazes pelos motivos certos, será sempre uma boa decisão :)

Me disse...

Este comentário é completamente descontextualizado, mas tinha mesmo de contactar-te de alguma forma...

Estás bem? Estão bem?

Estou a ficar preocupada com a tua ausência...

Beijoca