quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Atendimento prioritário

O atendimento prioritário nos vários locais públicos é uma bela treta e há-de dar um post com selo de qualidade, quando eu tiver um bocadinho mais de tempo.

Por enquanto, apenas comento o dos CTT. Antes de mais, convém esclarecer que nas maquininhas de tirar senhas dos CTT diz claramente "atendimento prioritário nos termos do art..." não sei das quantas, não fixei, suponho que do DL 135/99. No entanto, não existem senhas próprias para o atendimento prioritário.
Ontem ditou o acaso que fosse duas vezes aos CTT, a duas estações diferentes. Na primeira, e como já estou "queimada" nestas coisas, deixei-me estar quietinha com a minha senha na mão (afinal não havia assim tanta gente para atender), mas bem visível aos funcionários no atendimento. Passado um minutinho, um senhor desata a fazer-me sinalefas "venha, venha, a senhora tem prioridade, é já atendida", e acto contínuo entra um senhor de muletas que é imediatamente chamado para ser atendido a seguir a mim.
Na segunda, na Loja do Cidadão, com 25 pessoas à minha frente, tentei usar da mesma estratégia. Toda contente, vi um dos funcionários a olhar para mim e pensei "boa, a seguir vai chamar-me". E chamou, com o dedo no botão, 25 senhas depois. Eu, que estava zen e tranquila como [agora] tento, estive na converseta com ele enquanto me atendeu, mas no fim perguntei "olhe, aqui na Loja do Cidadão fazem atendimento prioritário? É que diz ali na maquininha...". Resposta "sim, mas a senhora não requisitou". E eu "?". E ele "sim sim, a senhora tem de tirar a senha da sua vez e depois dirigir-se ao balcão a dizer que pretende o atendimento prioritário".*
E agora? A lei não especifica propriamente se tem de ser o utente/interessado a solicitar o atendimento com preferência, ou se são os serviços quem o tem de prestar, independentemente de solicitação. Se na mesma casa não há quem se entenda, ou pelo menos passam mixed signals, quem há-de saber do lado de cá?...

*esta conversa termina assim: "Mas sabe, os senhores podiam ter alguma atenção e chamar, porque há sempre pessoas que não gostam e reclamam connosco. Como é uma obrigação vossa dar prioridade no atendimento..." "COM ESSA BARRIGA?!?! Não se preocupe, ninguém vai estranhar."

8 comentários:

Purple disse...

Só me deram prioridade uma vez...na churrasqueira. De resto acho que as pessoas até assobiam para o ar para não verem.

Beiju

Pepper disse...

Eu penso que a partir do momento em que lei nos concede um direito, não temos de ficar à espera que os outros o façam valer. Temos sim de ser nós a reivindicá-lo.Um pouco como disse o sr. da Loja do Cidadão. Mal de mim se nessas situações ficasse a mercê da boa vontade dos outros.

Queen of Hearts disse...

Purple, é verdade. Gravidez não é doença, sem a menor dúvida; mas as pessoas não entendem que é, sim, um factor de fragilidade.

Pepper, os direitos de uns são a obrigação de outros. Não deixo de concordar contigo em alguma medida, mas neste caso não é especificado, como em tantos casos o é, se tens mesmo de te "impor" quanto ao direito que te assiste, ou se o obrigado a ter esse comportamento o deve ter sem precedência de uma solicitação tua. Em primeiro lugar, os CTT se publicitam o atendimento prioritário deveriam OBRIGATORIAMENTE ter senhas prioritárias, e não têm. Só isso já facilitava bastante o processo. E depois, a própria sociedade não ajuda. Eu conheço situações concretas que dispõem muito mal - ainda para mais se se estiver grávida - precisamente nos CTT, provocadas por outros utentes. Assim, e visto que a lei os obriga, penso que não há qualquer mal em que os serviços disponham de uma atenção redobrada às situações de prioridade.

Pipita de Chocolate disse...

Desconhecia ter de ser o utente a chamar a atenção para a sua própria prioridade...não faz sentido! Já trabalhei num balcão de um banco e vi muita coisa! Uma coisa que me afligia muito era chamar uma suposta grávida...sem o estar! Nunca o fiz, porque só chamava as grávidas que se notavam bem! Não queria correr o risco de ofender alguém! Mas depois havia aquelas senhoras que faziam questão de tirar a criança do carrinho e ficar com ela ao colo, só para tentarem ter prioridade! Essas eu nem ligava! A não ser obviamente se a criança estivesse a chorar/fazer birra! Mas tive uma mãe que tirou o bebé que estava a dormir do carrinho, e ainda refilou! Essa teve de esperar na fila!

Bjs

_+*Ælitis in Paris*+_ disse...

Não é normal seres tu a pedir... mas não posso adicionar nada ao que aqui foi dito, não sei exactamente como são as coisas aqui pois nunca estive na tua posição.

Vee disse...

Antes de fazer uso da prioridade avalio se é mesmo necessário, não acho normal ter de ser eu a chamar a atenção para tal mas se tiver de ser...
Há casos que ainda acho mais "triste" as pessoas não darem prioridade do que a uma grávida. Como o caso numa caixa prioritária de supermercado de uma mãe com um bebé ao colo e que só tinha uma caixa de iogurtes. Eu grávida perguntei-lhe se queria passar mas o "grávido" da frente ainda ficou a olhar para ela de lado a pensar se deixava ou não. O senhor acabou por ter de mudar de caixa porque depois exigi ser atendida prioriariamente com o meu carrinho super cheio (ele tinha um cestinho), temos pena...

yara2 disse...

Realmente vâ-se cada coisa!!! E ainda acrescentou o comentário "com essa barriga?"? Enfim...

Anna Blue disse...

No Intermarché é igual. Mesmo com um grande barrigão só me davam a prioridade se tivesse um cartão verde a dizer "prioridade", o que é ridiculo. A resposta do funcionário foi "se não usar o cartão é porque prescinde da prioridade". Pois, mas pode-se sempre perguntar, não?