sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Não somos analistas políticos, não somos economistas, mas vivemos aqui

Gostei tanto deste post da Ritinha, leiga como eu, mas que vive cá, como eu, e que tem uma posição sobre o assunto que considero bastante justa. Transcrevo:

É triste e revoltante pagar por "crimes" que não se cometeu, é triste ver que estamos a retroceder em vez de avançar, é triste ver que tudo o que se dava como garantido não passava de uma grande fachada. Acredito que os funcionários públicos deste país se estejam hoje a sentir assim. Já fui funcionária pública há 10 anos atrás, hoje não sou. Estou muito pior financeiramente nos dias que correm do que há 10 anos atrás. Trabalho no privado, ganho muito abaixo dos €1000,00, e provavelmente nunca os chegarei a ganhar.

Não posso, mesmo sabendo que muitos/as de vocês vão detestar-me por isso, dizer que não concordo com as medidas tomadas pelo governo. Estamos falidos, precisamos da ajuda externa como de pão para a boca, e se nada for feito será o caos total. A descoberta de sucessivos buracos financeiros, e agora a vergonha "escondida" não pela Madeira, mas pelo Alberto João Jardim- que quanto a mim devia pagar criminalmente pelo que fez e até ter sido proibido de se candidatar- levaram a que todos nós tenhamos de pagar pela constante má gestão dos vários governos, pelos políticos que se limitaram a gastar mais do que o país podia e a saírem impunes dos crimes que cometeram.

CRIMES porque é crime mandar tanta gente para o desemprego, e que não vai ter dinheiro para pagar a casa, a escola dos filhos, caindo numa espiral descendente porque não há oportunidades. CRIME porque todos temos de sentir na nossa vida diária o que é viver com cada vez menos, CRIME porque continuam a haver reformas e ordenados milionários em organismos públicos a passar ao lado dos cortes que estão a ser feitos.

O pior não são os cortes dos subsídios, continuo a dizer, mesmo com cortes, quem ganha mais de €1000,00 mensais, ao ficar sem eles continua a ganhar mais do que qualquer funcionário do lugar onde trabalho, mesmo ganhando o subsídio de natal e férias ( até ver...), são as pessoas que vão ficar desempregadas à conta da crise que as empresas vivem. Ficar sem nada é bem pior do que viver com menos, não nos podemos esquecer disso. Por aqui há lojas e empresas a fechar todos os dias, pessoas que não têm os seus contratos renovados, e isso sim é o pior dos cenários.

O facto é que o sr. Sócrates, aquele que dizia que estava tudo bem, está neste momento a fazer jus ao nome e atirar um curso de filosofia em Paris, que a sra presidente do FMI ganha milhões e ainda tem uma série de prémios à conta do cargo que ocupa, que o Alberto João continua sentado no cadeira do poder na Madeira, que o Isaltino Morais já pensa no jantar que vai dar para comemorar o facto de não ir para a cadeia, etc, etc, etc.

À grande maioria de nós resta apenas fazer contas à vida, e fazer um esforço para manter a esperança e acreditar que um dia voltará a valer a pena viver neste país.

7 comentários:

Rita G. disse...

Acho que hoje me tornei persona non grata para muita gente após ter escrito este texto. Ainda bem que algumas pessoas compreenderam:) Obrigada
bj!

Vee disse...

Pois, eu NÃO concordo com estas medidas exactamente pelo que está escrito acima, mas como já estamos habituados a comer e calar mais uma vez vai passar em branco.
Também me choca alguém poder achar que €1000 é um "bom" ordenado, passivel de levar cortes, a sério?! Para além de que só a possibilidade de cortar um subsidio a uma pessoa que ganhe, vá lá, €500 é no mínimo execrável.
Ainda estou à espera da diminuição do numero de deputados na assembleia...

Queen of Hearts disse...

Vee, acho que não é bem esse o espírito do post da Rita e certamente sei que não é o meu... Primeiro, não gostei das medidas, como acho que ninguém gostou. Segundo, acaba por ser "injusto" de certa forma para os FP, como é óbvio. Terceiro, aqui para mim a questão é mesmo que é necessário encaixar JÁ dinheiro nos cofres. Sem a menor dúvida que estou contigo nessa outra esperança, aliás, ninguém mais acerrimamente que eu defende a necessidade de diminuir a despesa pública e a tacharia toda. Mete-me nojo, aliás. Quarto, eu, que trabalho a recibos, nunca percebi muito bem a lógica dos subsídios. Não sou contra que quem tenha direito por lei os receba, claro. Nem nunca tive "dor de cotovelo" dos subsídios. Mas acho desnecessário, comparativamente com o que acontece noutros países, em que pura e simplesmente não há subsídios. E se há muito boa gente que os usa para pagar coisas de primeira necessidade, muito há quem os use para comprar um lcd novo ou para fazer a bela da viagem. Mais uma vez, nada contra, que o gaste quem o tem. Mas o que eu acho que é são dois anos sem esses incrementos salariais. INCREMENTOS... Não será para a eternidade. Enfim. É muito difícil descortinar aqui o "certo" e o "errado", a não ser que é ERRADÍSSIMO cortar ao povo para manter aos tachistas. [e concordo com a parte de os funcionários públicos com ordenados de 500 euros serem penalizados também - mas a verdade é que, a ganhar esses valores, não serão assim tantos]

Vee disse...

Eu também sou contra esses subsidios (natal e férias) porque simplesmente eles deviam estar incorporados no ordenado mensal.
Se estas medidas fizessem parte de um pacote onde outras mais justas, mesmo que só eficazes a longo prazo, também figurassem ainda vá lá, mas assim não.

Rita G. disse...

Vee,
no local onde trabalho não há NINGUÉM que ganhe mil euros!! Para mim é um bom ordenado sim senhora, sempre tenho vivido com menos e nunca passei necessidades! O problema é que a maioria das pessoas querem continuar a comer fora todos os dias, viajar, fazer compras aqui e acolá. E não me venham com a treta que parece que tenho inveja de quem ganha mais, que respondo logo vão à m**** por que esse argumento é ridículo, só acho que a maioria das pessoas que se queixam não querem abdicar de certas coisas. Não gosto das medidas, mnas concordo com elas. Se a maior parte da despesa do estado é com ordenados, a forma mais rápida de conseguir dinheiro é cortando aí! Os mais desfavorecidos não são abrangidos, por isso acho que se o estado teve de recorrer a essas medidas é porque não tinha outra solução, aliás basicamente todos os economistas que tenho ouvido dizem isso. Aliás, dizem mesmo que se estas medidas não fssem tomadas, o país nunca teria hipótese de avançar.
Bj

Uma cereja no topo disse...

Concordo especialmente com a parte de que por muito desagradavéis que estas medidas sejam (e são realmente péssimas e até injustas pelo facto de estarmos a pagar uma dívida que não fomos nós, directamente claro está, a contrair) mas não há dúvida de que são medidas necessárias. Teremos de aprender a viver com bem menos do que nos habituamos, mas não me parece que haja outra alternativa. E a verdade é que me parece que há muito boa gente que ainda não percebeu que os cofres do Estado estão a zero, estamos de tanga, nicles, como quiserem... É mau mas infelizmente não parece haver outra opção...

Vee disse...

Continuamos a nivelar-nos por baixo...
Eu gostava de ver alguem a ganhar €1000 (que não são €1000 porque há os impostos) e a pagar renda, transportes e comer em Lx. Nomeadamnete uma pessoa sozinha, ou alguém com filhos a encargo, ou se o cônjuge estiver desempregado. É o problema dos cortes cegos, há muitos "ses". E depois venham dizer-me que sobra muito dinheiro para extravagancias.
E quanto a serem as medidas possíveis,eu até dava os meus salários do ano inteiro se me apresentassem um plano de recuperação a sério(ganho é menos de €1000 :( ). É isso que falta, saber em prol de quê se fazem sacrifícios.