segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O estilo, a pinta, o bom aspecto são cenas que não me assistem de momento

Em geral, vejo-me como uma mistura entre o cuidado com a aparência e a low maintenance. Ou seja, gosto de trapos, gosto de me sentir bonita e de estar de bem com o meu aspecto, e até tenho algum jeito para me saber favorecer, mas sou preguiçosa demais para por exemplo, um entre tantos, ser uma daquelas mulheres que todos os dias pegam nas placas de alisamento e transformam a sua juba numa melena perfeita. E acredite-se que bem gostava de o ser, mas lamento. Não sou mesmo. As placas estão lá, mas são apenas usadas naqueles dias em que o espelho me grita de susto.

Neste momento, tenho um problema. O espelho grita-me todos os dias. E a hecatombe do meu aspecto global manifesta-se nas suas mais variadas formas e feitios. Depois de uma avaliação ponderal na minha nutricionista no passado sábado, descobri que já recuperei dois dos quilos perdidos depois do parto. O que não admira, se tivermos em conta que ultimamente estou viciada em coisas com açúcar, que é SÓ o que me apetece. Mais do que os quilos recuperados, doem-me os sete centímetros que estão a mais no abdómen e o mísero centímetro que está a mais na anca, e que mesmo sendo mísero me faz diferença. As boas notícias continuam: devido a algumas sequelas do parto, não posso fazer exercício com algum impacto - o que poderia ajudar a resolver esta situação - antes dos cinco ou seis meses do bebé (a correr bem a minha recuperação). Resta-me ter cuidado com a alimentação - o que significa cortar nos alimentos açucarados, visto que o restante está bem e é para manter; não posso fazer dieta enquanto amamentar -  e investir nos cremes. Estou a usar um anti-estrias e um reafirmante pós-parto, mas (reality check) não há milagres.

Depois, temos a travessia no deserto que é tentar encontrar coisas no armário para vestir. Para estar em casa há lá muito: uns leggings, meias quentinhas e camiseiros confortáveis herdados da gravidez resolvem-me o problema - pelo menos já recuperei da fase deprimente de não tirar o pijama todo o dia que me acometeu no princípio. No entanto, visto que retomei o trabalho, tem sido o terror vestir-me para sair de casa. Por um lado, as mamocas de produtora láctea e os malfadados sete centímetros extra na barriga impedem-me de vestir grande parte das minhas camisas e das minhas calças ou saias mais formais; por outro, a função propriamente dita de produção láctea impede-me de usar montes de camisolas e vestidos quentinhos e bonitos que habitam lá no guarda-fatos, por mor do aspecto prático da coisa. Investir numa reforma do guarda-roupa está fora de questão. Entre pediatras, vacinas não comparticipadas, revisões das carroças, casa nova a aproximar-se vertiginosamente com todas as suas despesas agregadas, tantas coisas que agora não me lembro, a crise em geral e a minha ideia de mudar os hábitos de consumismo instalados em particular, não dou qualquer tipo de prioridade a gastar dinheiro em trapinhos que (espero) daqui a algum tempo me serão enormes. Claro que aproveitei os saldos para fazer algumas pequenas aquisições, mas a verdade é que a minha falta de pachorra para a época de saldos me impede de encontrar as pérolas que vejo as minhas amigas a comprar. De modos que temos aqui um ananás para descascar.

Por fim, não sei se aborde a questão da minha cara de peixe morto, à conta de 90 noites consecutivas mal dormidas, se aborde a questão da minha ronha contra a minha querida R., que sempre foi uma verdadeira iluminada com as tesouras quando confrontada com a minha cabeleira de leoa. Até agora. Acontece que, das duas últimas vezes que me atendeu, não correspondeu às altas expectativas criadas, e o resultado é que ando para aqui a luzir um corte que não me agrada absolutamente nada. Como mulher prática e pragmática que sou, face ao que disse acima da coisa low maintenance (e que neste momento se encontra elevada à terceira potência à conta do pequeno piolho que habita grande parte do tempo nos meus braços), a solução para mim passa por um corte de cabelo que, ao lavar e deixar secar ao natural, fique bem - e possa ser upgraded com uma secagem com escova, ou com uma passagem das tais placas. Não por um corte de cabelo que exija um sérum para facilitar o aspecto mais liso, secagem de cada vez que vai ao chuveiro e ainda acabamento de passagem a ferro para ficar sofrível (que eu não tenho jeitinho nenhum para estas coisas).

Resumindo e concluindo, estou feita. O que vale é que me consolo com a ideia de que tudo isto é temporário, que dentro de algum tempo o meu cérebro estará mais livre e apto para investir no habitual aprumo e que esta baixa de rendimento acontece porque estou a cumprir outras funções com o meu corpo, funções que também me deixam feliz e completa. Se estou mais gorda é porque também alimento outro ser, se estou mais despenteada é porque lhe dei muito colinho e miminhos, se não estou tão bem vestida é porque o tempo não me chegou para encontrar uma toilette mais bonitinha. Paciência. Dentro em breve tudo melhorará.

5 comentários:

triss disse...

E melhora, devagarinho, mas melhora:-)

Vee disse...

:(
Sim, acho que é mesmo isso que temos de nos lembrar sempre: é temporário.
Numas demora mais a voltar ao "normal" e noutras é rápido.
Eu lá vou conseguindo dar a volta, ainda há calças e camisas que não consigo apertar (apesar de já não amamentar). Já consigo ter algum tempinho para as minhas coisas (a mãe tem ajudado) e lá vou tentando adaptar o meu tempo ao dela, mas não é fácil, principalmente quando ela está naqueles dias que requer mais atenção (como hoje).

Pipita de Chocolate disse...

Imagino que não seja fácil, por mais que a pessoa idealize que vai ser assim ou assado não é? Eu, que não tenho filhos, já acho difícil gerir profissão, dona de casa (sem ajuda de empregadas ou engomadorias), esposa, ir ao ginásio e ter bom aspecto nestas áreas todas...Imagino um dia que tenha filhos! E mesmo agora, nem sempre consigo sair de casa sem maquilhagem (maquilho-me no escritório!) e o ferro de fazer caracóis (eu já tenho o cabelo liso :P) não vê a luz do dia há meses largos! Por isso acredito que não seja mesmo nada fácil! Mas vai aos poucos e desfruta ao máximo o M.

Beijocas

VannD disse...

"Dentro em breve tudo melhorará."
Não são palavras minhas. Mas também acredito nelas. Só queria que começasse amanhã a dita melhoria. Bjokinha

veeny disse...

Ai como me revejo nas tuas palavras (tirando a parte do pijama todo dia - vá lá, isso é cumulo do desleixe)! Aqui há uns tempos também eu andava com essa vontade toda de pensar em mim e no que eu preciso... mas acretita que tenho saudades... das mamas :PP Beijoca, tudo se ultrapassa e melhora :)