sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por anormal que isto possa parecer

Hoje, ao ler este texto no Cocó na Fralda, pus-me a pensar na vida e no euromilhões. Eu jogo no euromilhões todas as semanas, se me lembrar. É óbvio que, se jogo, gostava - e tenho a legítima expectativa, deduzida das parcas probabilidades - de ganhar um prémio. Quanto aos 135 milhões... não sei se as coisas são assim tão lineares.

Pus-me a pensar, e chego à conclusão que, na verdade, não queria assim muito os 135 milhões. Posta a questão "ficas como estás ou queres 135 milhões?" tenho de pensar um bocadinho - não é nesse sentido que estou a falar. Mas, em caso de ser uma feliz vencedora do euromilhões, e podendo escolher teoricamente o meu destino, acredite-se que preferia mil vezes ganhar um ou dois milhõezitos do que a bolada inteira. Não só porque isso significaria que muitas mais pessoas teriam ficado felizes e mais endinheiradas; nem só ainda porque esses um ou dois milhõezitos já chegavam e sobravam para me deixar feliz e despreocupada, e à família e amigos também, pois os meus objectivos de vida não envolvem assim muito mais coisas materiais do que as que já tenho.

Na verdade, penso que o meu sonho nesta vida, a nível material, seria tão-simplesmente não dever nada a ninguém, ter um tecto sólido, ter um carro que dê para a famelga e outro que dê para o trabalho (somos dois adultos que precisam de dois carros, infelizmente para o ambiente), ter um pé-de-meia em caso de algum de nós ficar doente ou incapacitado, e um fundozinho de maneio para o meu único vício e luxo assumido (em stand-by, mas qualquer dia volto ao activo): ver mundo. Gadgets não ligo, a não ser ao iPhone, que já tenho (e foi comprado em segunda mão, o que eu nem sabia possível), roupas e sapatitos e malocas gosto sim senhor - afinal sou gaja - mas não sou de me perder nesse mundo.

Portanto, 135 milhões de euros eram pornograficamente excessivos para as minhas necessidades. Não preciso de tanto, e por outro lado - serei a única pessoa a quem ocorrem pensamentos negativos com tanto dinheiro em questão? E se se soubesse, se se tornasse público que eu era milionária à 135ª escala? Eu quereria partilhar esse dinheiro, e se alguma das minhas pessoas me delatasse? E se alguma das minhas pessoas se transformasse, me desiludisse? E se EU me transformasse? E se, de repente, eu passasse a ter AINDA mais amigos (que, felizmente, sou bem servida nesse campo, em número e em qualidade), daqueles que se aproximam pelo faro? E se alguém me raptasse o meu filho para pedir um resgate à milionária do euromilhões (eu vejo muitos filmes)? E se eu e o meu marido perdêssemos a perspectiva? E se este dinheiro causasse a cisão no meu casamento?

Ponderadas estas variáveis, antes pobre e feliz. Mas isso sou eu, que sou pessimista desde que nasci.

1 comentário:

Pipita de Chocolate disse...

Concordo com as tuas palavras! 1 ou 2 milhões chegavam muito bem! O meu maior luxo seria dar a volta ao mundo e se calhar ficar nos melhores hotéis e resorts! Era o meu ultimate sonho de consumo! Roupas e sapatos vou tendo que chegue e mesmo que tivesse muito dinheiro recusava-me a dar 300€ por uma saia ou coisa que o valha!

Beijocas