sábado, 11 de agosto de 2012

E para compor o ramalhete e dar uma demolidela no muro das lamentações

Tenho muita pena, mas chego à conclusão que não consegui honrar os compromissos que fiz comigo mesma antes de ser mãe. Nomeadamente:
- que não me anularia em função dessa nova qualidade;
- que não deixaria de cuidar de mim;
- que não abdicaria do meu bem-estar emocional;
- que não deixaria de ter uma vida, interesses, etc etc etc.

Pois. Apesar de ter um medo irracional da minha prestação enquanto mãe, a verdade é que me abandonei a ela, me entreguei a 200% e sim, tenho de admitir que me sinto completamente anulada pela maternidade. A minha amiga C. diz-me que isso acontece mais enquanto dura a fase da amamentação. Descansa-me que, passada esta fase, se recupera muita individualidade e explica-me o processo, cheio de sentido. Fico mais sossegada e expectante por esse momento. No entanto, e por contraditório, hippie ou incompreensível que isto possa parecer, conto e espero amamentar por ainda mais algum tempo. Até o meu filho querer ou me ser possível, ou me ser comportável fazê-lo.

Pois. Até hoje, não há manhã em que me maquilhe, porque não tenho tempo - nem vontade. Não há impulso consumista que se veja, porque estou um bisonte e me sinto mal e feia. Não há tempo para exercício, porque de manhã tenho de o preparar e dar um jeito à casa, à hora do almoço tenho de comer e ao fim do dia tenho de estar com ele e dar-lhe muitos beijinhos e abracinhos, e dar um jeito à casa. Não há possibilidade de massagens, de toma de nada, de dietas, porque dou de mamar. Nem sequer o cabelo corto já lá vão largos meses. E agora só em Setembro.

Pois. Acho que já disse tudo sobre isto. Resta-me esperar que seja tudo mais hormonas que piração sem retorno.

Pois. Salvo raras excepções, não existe nada disso agora.

E para mim tudo isto é triste. Eu não queria ser assim. Não queria ser esta pessoa, nem esta mãe. Mas mais vale admiti-lo, a ver se me ajudo a mim mesma. Mas, por outro lado, é irracional e não consigo deixar de desviar todas as minhas forças para este pequeno troll que me saiu das entranhas.

2 comentários:

Vee disse...

Eu tenho ajuda, ela até é um bebé simpático e mesmo assim por vezes é difícil... Se tivesse de fazer tudo sozinha, se tivesse uma actividade muito exigente, se ela fosse uma criança mais complicada nem sei como seria. Portanto eu imagino que seja mesmo complicado e que o complicado seja o "normal" na maternidade. Como já disse eu até acho que tenho imensa sorte com o que me calhou e confesso que quando vejo alguns relatos de maternidades ainda mais fáceis (digamos assim) fico um bocado na dúvida se será possível ser assim tãããão fácil. De qualquer forma acho que ter algum tipo de ajuda é um grande alívio e se por alguma razão temos de ser nós a fazer tudo não há mulher que aguente fantástica, bela e perfumada. Eu imagino que seja bem difícil mas tenta não ficar frustrada por não estar a correr como imaginaste, talvez estejas a exigir demasiado de ti (simplesmente) e acima de tudo pensa que isto vai passar (e vai passar mesmo mais cedo ou mais tarde). Tem fé!

CS disse...

Revejo-me em 90% do que dizes (a maquilhagem tem que sair sempre comigo à rua), desta entrega a 200% e anulação de tanta outra coisa que eu adorava.
Acredito que a amamentação ajude nessa área e que quando essa fase passar poderemos estar um pouco menos absorvidas neste ser que comanda toda a nossa vida :)
Gosto de aqui vir...