sábado, 28 de julho de 2012

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Ter um jantar agradável e caseirinho marcado em casa de uma amiga e estar com esta telha descomunal e esta dor de cabeça brutal e esta pseudo-depressão que me anda a ameaçar há anos a berrar-me aos ouvidos. Não me apetece vestir, não me apetece arranjar, não me apetece emendar esta lasca que acabei de fazer no verniz já de si muito precisadinho de reformar, não me apetece sair à pressa para comprar os presentes que devia ter ido comprar de manhã mas as voltas trocaram-se-me, não me apetece levar as sobremesas que fiz e não me calharam como eu queria. Telha, pronto.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por anormal que isto possa parecer

Hoje, ao ler este texto no Cocó na Fralda, pus-me a pensar na vida e no euromilhões. Eu jogo no euromilhões todas as semanas, se me lembrar. É óbvio que, se jogo, gostava - e tenho a legítima expectativa, deduzida das parcas probabilidades - de ganhar um prémio. Quanto aos 135 milhões... não sei se as coisas são assim tão lineares.

Pus-me a pensar, e chego à conclusão que, na verdade, não queria assim muito os 135 milhões. Posta a questão "ficas como estás ou queres 135 milhões?" tenho de pensar um bocadinho - não é nesse sentido que estou a falar. Mas, em caso de ser uma feliz vencedora do euromilhões, e podendo escolher teoricamente o meu destino, acredite-se que preferia mil vezes ganhar um ou dois milhõezitos do que a bolada inteira. Não só porque isso significaria que muitas mais pessoas teriam ficado felizes e mais endinheiradas; nem só ainda porque esses um ou dois milhõezitos já chegavam e sobravam para me deixar feliz e despreocupada, e à família e amigos também, pois os meus objectivos de vida não envolvem assim muito mais coisas materiais do que as que já tenho.

Na verdade, penso que o meu sonho nesta vida, a nível material, seria tão-simplesmente não dever nada a ninguém, ter um tecto sólido, ter um carro que dê para a famelga e outro que dê para o trabalho (somos dois adultos que precisam de dois carros, infelizmente para o ambiente), ter um pé-de-meia em caso de algum de nós ficar doente ou incapacitado, e um fundozinho de maneio para o meu único vício e luxo assumido (em stand-by, mas qualquer dia volto ao activo): ver mundo. Gadgets não ligo, a não ser ao iPhone, que já tenho (e foi comprado em segunda mão, o que eu nem sabia possível), roupas e sapatitos e malocas gosto sim senhor - afinal sou gaja - mas não sou de me perder nesse mundo.

Portanto, 135 milhões de euros eram pornograficamente excessivos para as minhas necessidades. Não preciso de tanto, e por outro lado - serei a única pessoa a quem ocorrem pensamentos negativos com tanto dinheiro em questão? E se se soubesse, se se tornasse público que eu era milionária à 135ª escala? Eu quereria partilhar esse dinheiro, e se alguma das minhas pessoas me delatasse? E se alguma das minhas pessoas se transformasse, me desiludisse? E se EU me transformasse? E se, de repente, eu passasse a ter AINDA mais amigos (que, felizmente, sou bem servida nesse campo, em número e em qualidade), daqueles que se aproximam pelo faro? E se alguém me raptasse o meu filho para pedir um resgate à milionária do euromilhões (eu vejo muitos filmes)? E se eu e o meu marido perdêssemos a perspectiva? E se este dinheiro causasse a cisão no meu casamento?

Ponderadas estas variáveis, antes pobre e feliz. Mas isso sou eu, que sou pessimista desde que nasci.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vou enlouquecer

A ausência justifica-se pelo excesso de versatilidade da minha pessoa. Tem filho, tem marido, tem trabalho (e se tem), tem mudança de casa. Tudo ao mesmo tempo, cocktail molotov. Primeira razão, mais prosaica, para o rés-enlouquecimento.

No entanto, numa versão mais agradável da perda de senso, sucede que ando a preparar, com a mudança, o quartinho a que finalmente o filhote vai ter direito. A par das pesquisas que tenho feito em busca de ideias (que criatividade não é propriamente o meu strong suit), as amigas têm ajudado com imagens e links, e é mesmo de uma pessoa ficar bazaruca perante tanta coisa gira que se faz e se quer copiar. Se fossem 10 quartos...





E, por fim, os meus preferidos. Estes, se alguma alminha com pinta de "Querido, montei um quarto" quisesse accionar a varinha de condão... Podiam ficar tal e qual.


sábado, 7 de julho de 2012

Porque eles não deviam ser tocados por infortúnio algum

Por todas as Bias, todas as Marias, todos os casos que conhecemos, presentes ou passados, futuros também. Já que não os podemos proteger de todo o mal, ajudemos. Da forma que pudermos. Não custa, mesmo. A Bia, aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

[Cansada]

De ouvir, ler, receber más notícias que envolvam crianças. Más notícias, daquelas mesmo más [as crianças deviam ser intocáveis. Intocáveis]. De não dormir o necessário para assegurar o funcionamento dos serviços mínimos. De me doer a cabeça todos os dias por não dormir o suficiente. Não mata mas mói. De ter a vida desorganizada. De ter o trabalho atrasado. De ter de contar os meus tostões. De crise. De ouvir falar de crise. De más decisões. De cortes estúpidos, os poucos que me afectam directamente e os muitos que não, ou indirectamente. De filosofias baratas. De injustiças, sociais e pessoais. De que não me deixem fazer o que quero. De ser mal entendida. De pessoas abusadoras. De me deverem o que é meu por legítimo direito, de caloteiros. De padrões morais comprados no chinês. De pessoas soberbas, cheias de si mesmas, arrogantes.
Hoje é sexta-feira e eu hoje estou muito. Muito mesmo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012