domingo, 10 de novembro de 2013

Retomar os velhos e bons hábitos

Quando era pequena, era uma leitora de mão-cheia. Aprendi a ler com três anos. E cedo passei das Anitas, coelhinhos, Condessas de Ségur, fábulas, contos de fadas e demais livros fofinhos de capa dura e cheios de ilustrações para os Cincos, Setes, Uma Aventuras, Patrícias, Clubes das Chaves, As Gémeas (começa aqui o meu gosto por literatura policial/mistério) e outros que não me lembro. Ao mesmo tempo, tornei-me ávida consumidora de BD - numa primeira fase os Disney e o Maurício, quando entrei para o ciclo preparatório a biblioteca escolar trouxe-me o Quino, o Goscinny e o Uderzo, e o Hergé. Até entrar para o secundário, posso afirmar com segurança que lia vários livros por semana. Era como eu ocupava a maior fatia do meu tempo livre.

No secundário e faculdade, o meu tempo livre encolheu misteriosamente, ou algo se passou. Ainda assim, não deixei de ler, e continuei a um ritmo saudável - pelo menos um livro por mês. Durante toda a minha vida, na minha mesinha de cabeceira sempre morou um livro, pelo menos.

E assim continuou até ter conhecido aquele que é hoje o meu marido. De repente, vi-me muito mais enredada na internet (porque passei a tê-la em casa desde que ele veio morar comigo), vi-me a acompanhar séries (coisa que anteriormente só fazia se passassem nos quatro canais abertos, e com sorte), e em geral passei a não ter disponibilidade para ler. Pior: com a passagem do tempo e a acomodação do cérebro à fast food intelectual, deixei de ter vontade, concentração e capacidade para a leitura.

Agora, com um filho de dois anos cuja maior obsessão na vida é gritar "papámamãpapámamã" assim mesmo, tudo junto... nem sequer tenho possibilidade de o fazer em 90% do meu tempo de não-trabalho. [e para dizer a verdade, gosto de poder brincar com ele enquanto ele quer tão intensamente brincar connosco][mas também gostava que ele se entretivesse sozinho às vezes, só por uma horinha, e me deixasse aproveitar um bocadinho de uma manhã ou tarde de sorna no sofá, com um livro e uma caneca de chá]

Bom. Isto tudo para dizer que urge retomar os velhos e bons hábitos, e que o meu cérebro me pede desesperadamente para recomeçar a ler. Nem que o tenha de fazer à noite, quando já estou perdida de todo, e consiga ler apenas uma página antes de tombar para o lado. Estava a tentar pegar num García Márquez que está em lista de espera há muito tempo - O Amor em Tempos de Cólera - mas acho que é melhor virar-me para uma história com menos personagens e mais suspense, para me agarrar e fazer o cérebro voltar a carburar em condições.

4 comentários:

Sílvia disse...

Para recomeçar se calhar o melhor mesmo é uma coisa mais leve. Não que esse não seja bom, que é, mas é preciso predisposição mental e atenção para perceber tudo. E um bocadinho de paciência também :) Por isso recomendaria alguma coisa mais levezinha daquelas que não precisamos de pensar muito para entender a história toda :)

Queen of Hearts disse...

My thoughts exactly, Sílvia :)

Vee disse...

Com a Helena eu também deixei de ler, é verdade. Agora estou a recomeçar mas é preciso reaprender este velho hábito.

pipinhaeheh disse...

Eu também adoro ler e agora quase não leio nada, mas continuo a comprar livros na esperança de um dia voltar a ter tempo. Vingo-me nas férias, embora mesmo assim não tanto quanto gostaria. O amor nos tempos de cóelra é muito bom mas precisa de dedicação. O último que li foi "Um dia", emprestaram-me por um acaso e foi uma agradável surpresa. Lê-se muito bem.