Na Visão de 24 a 30 de Março, vinha esta matéria que tenho de partilhar com quem não tenha lido. As análises que nela são feitas parecem-me de longe das mais certeiras que tenho visto, no sentido da recuperação do estado actual (caótico) do nosso país. Apesar das divergências ideológicas dos intervenientes na peça, todos eles concordam nas vantagens de "emagrecer o Estado e concentrar esforços no desenvolvimento da economia", em vez da insistência no aumento de impostos e cortes nos salários, pensões e prestações sociais.
"Os economistas mantêm a mesma opinião: sem redução da despesa primária pública, não há como equilibrar as contas públicas. Nem como crescer."
Os economistas:
"João Cantiga Esteves - docente no ISEG:
- redução das 14 mil entidades que recebem subsídios (fundações/institutos)
- corte de 30% a 40% nos consumos intermédios do Estado (governo, deputados, administração pública, etc.)
- renegociar parcerias público-privadas (PPP)
- corte de 10% nas despesas do Estado
- extinção dos governos civis, redução das empresas municipais e das PPP
- convergência do subsídio de doença, no público e no privado
- rescisões amigáveis na função pública
- redução drástica em consultoria e outsourcing
- eliminação de institutos públicos
- corte nos benefícios fiscais de bancos e construtoras
- aposta no investimento público como motor do crescimento" (mas não no TGV, diz)
"JSD
- Privatizar a RTP permitiria poupar 350 milhões de euros anuais, verba que em 2009 o Estado transferiu para a estação pública
- Suspender obras públicas (poupança de 1.125 milhões de euros): TGV e novo aeroporto de Lisboa
- Reduzir em 53 milhões de euros despesas com pareceres, consultoria e estudos técnicos
- Diminuir em 23 milhões de euros os gastos com seminários e publicidade
- Extinguir governos civis evitava despender 27 milhões de euros
- Congelamento de todos os pagamentos em excesso sobre os contratos das PPP (229 milhões de euros)
- Eliminação de empresas municipais e governos civis e fusão e reconversão de empresas públicas (ex: fusão no sector ferroviário - CP, REFER, EMEF, CP Carga - para uma gestão integrada)
- Reforma fiscal, a partir de 2012, com a criação de 3 impostos e taxas que permitirão uma receita de 3 mil milhões de euros
- Imposto Único sobre o Património, para que os proprietários de valores mobiliários (acções e outros) sejam tributados como os proprietários de bens imobiliários
- Imposto sobre as mais-valias urbanísticas que decorrem de benfeitorias provocadas por obras públicas ou da alteração do registo de propriedade que permita a sua urbanização
- Taxa de 0,01% sobre todas as operações bolsistas e de 0,05% sobre operações de compras de derivados e outros títulos over the counter, para criar um fundo de amortização da dívida."
Será que algum dia vai haver alguém com as balls do tamanho necessário para poder implementar algumas destas medidas? Escusávamos nós de continuar a sofrer mais a cada dia, e a fazer novos furos nos nossos magros cintos.





























