sábado, 11 de agosto de 2012

Disclaimer

E pronto, toda a gente fica a saber que eu pirei. Pirei mesmo.

Mas quero fazer dois reparos às eventuais (eventuais não, que elas são certas como o destino) más interpretações de quem vier a ler.
Primeiro, não sou contra as pessoas que vivem a maternidade de uma forma diferente da minha. Pelo contrário. Admiro-as, aspiro ao mesmo, espero um dia pelo mesmo bem-estar. Apenas me faz mal sentir que não sou igual. Lá está, estou pirada.

Segundo, não pretendo o monopólio das noites mal dormidas nem dos bebés que choram sem motivo. Muita gente passa pelo mesmo que eu, bem sei. Só que a maioria das pessoas sabe lidar melhor com isso. São melhores nesta coisa de ser mãe.

Aproveitando o Agosto em que ninguém nos lê

Continuo a minha catarse. À minha volta só vejo (ou só me são dadas a ver) maternidades fáceis, simples, tranquilas. A minha não é assim, nem nunca foi. Sinto-me a marginal da maternidade. Para mim sempre foi difícil ser mãe, desde o primeiro dia. Desde o primeiro dia em que ele chorava, chorava, e eu tentava acalmá-lo (incrivelmente, sem eu própria perder a calma), tentando suprir, uma de cada vez, todas as possíveis causas do choro, tal como me ensinaram nas aulas de preparação. E as pessoas à minha volta diagnosticavam, opinavam, queriam ajudar. Até que, pouco tempo depois, tempo insuficiente para que eu pudesse ser aquilo em que me tinha tornado, tempo insuficiente para que eu quisesse desistir de tentar, uma enfermeira levou-mo. E depois trouxe-mo, dizendo que afinal não era fome, nem frio, nem calor, nem nada de palpável, era só choro. Cólicas. Faça assim, faça assado. Como se eu fosse uma diminuída que não fosse capaz de perceber que o meu filho não tinha fome, frio, calor. E principalmente como se o meu colo, os meus mimos e o meu instinto não fossem bons o suficiente para que o meu filho acalmasse o choro. Infelizmente, sou uma esponja quando algo negativo se aproxima, quem  me dera não ser. A partir desse dia, a insegurança que infelizmente me caracteriza instalou-se, comigo sempre a tentar combatê-la, mas instalou-se. E nunca mais fui capaz de não perder a minha própria calma. Fui-me tornando uma mãe ansiosa, insegura. Ainda assim, para algum consolo meu, no fim de todas as histórias, a moral sempre foi que eu, melhor do que ninguém, conheço o meu filho e intuo o melhor para ele.

O meu filho continuou a chorar nos dois meses seguintes. Nunca o deixei ter frio, nem fome, deixei de comer as coisas que lhe podiam fazer mal. Mas ele chorava. Nunca dormi uma noite seguida desde que sou mãe. Bem, na verdade, nunca mais dormi mais de cinco horas seguidas, nas noites de milagre. E nunca mais de seis no total. Fui trabalhar quando ele tinha apenas dois meses, contra a minha vontade mas rendida às evidências. Passo alturas - como a presente - em que não tenho com quem o deixar, porque optei por não o pôr numa creche, mas deixá-lo com a família.

Não tem sido fácil ser mãe, não por causa do meu filho, que é um bebé como todos os outros, que chora, que só quer saber dos fios eléctricos, dos transformadores, das tomadas, dos aparelhos eléctricos e não dos brinquedos, que anda sempre a tentar a próxima macacada e acaba invariavelmente com um galo na testa, que não me pode ver sair da sala que desata num pranto e que se ri com cara de tontinho quando eu entro, apesar do pouco tempo que passa comigo nas 24h do dia.

Não tem sido fácil ser mãe por causa de mim. Porque não tenho a paciência que devia ter para o meu filho. Porque quando estou com o meu filho me atormentam as mil tarefas que deixei por concluir no escritório, sem tempo para as terminar, e que muitas vezes trago para casa e ele não me deixa fazer. Porque muitas vezes já não sei o que fazer para ele dormir, para ele sossegar. Por querer que ele durma para eu poder fazer coisas. Porque quando estou no escritório não consigo deixar de pensar no meu filho e no pouco tempo que passo com ele. Porque olho para a minha casa e sinto tudo fora do lugar. Porque, agora que estou a mudar de casa, me sinto desorientada por não ter tempo, sempre o tempo, de fazer tudo de uma vez, tendo meia vida num lado e outra meia no outro. Porque sei que o meu marido sente a minha falta, embora me veja todos os dias. E eu não chego para ele. E quando lá estou, não sou eu. Está tudo do avesso. Em mim e fora de mim.

E eu não vejo isso em mais vida nenhuma. Todas as maternidades à volta me parecem fáceis, simples, tranquilas. As pessoas trabalham, aproveitam os filhos, fazem coisas em casa, namoram os seus homens, fazem férias, descansam, vivem. Vejo dias de 52 horas. Vejo amores de mãe que nada desestabiliza, nada apoquenta. E fico cada vez mais doente, doente com a noção de que sou uma valente bosta de mãe. De profissional, de mulher, e de pessoa.

Ainda estou a escrever, e já estou arrependida de o fazer. Isto não são coisas que se digam no mundo ideal, mas é o que vai cá dentro.

E do post anterior...

... resulta parcialmente o motivo pelo qual tenho escrito tão pouco. Antes de mais, stating the obvious, este blog é uma coisa pessoal, que criei para mim e para partilhar voluntariamente com algumas pessoas de quem gosto muito e com quem não posso estar sempre que quero - na esperança que a distância física se diminuísse por eu escrever aqui algumas postas de pescada sobre o meu quotidiano. Não tem qualquer pretensão de qualidade, nem de ter um milhão de seguidores ou visitas, nem de actividades associadas, nada. Se é assim, aqui o assunto base é obviamente a vidinha que levo e o mundinho que me rodeia. Neste momento, esse mundo resume-se, grosso modo, à maternidade, ao trabalho, e à casa, sem tempos livres, sem hobbies, sem vida social ou cultural.

Logo, apesar de desinteressante, a minha vida compõe-se de dois ou três itens sobre os quais até poderia vir escrever. Mas a verdade é que não me apetece. À medida do tempo que tenho livre, e que tem sido muito pouco, tento ir lendo blogs, estou em algumas redes sociais, enfim, tento manter a actualidade no mundo virtual, mas canso-me. Porque não me sinto identificada com nada do que leio. Não me sinto identificada com as vidas, nem com as experiências. E se fosse dizer por aqui metade dos meus pensamentos, do que me acontece, do que faço...

Lei de Murphy

Eu acrescento: se é fim de semana, ele irá acordar-te com as galinhas [quando nos dias de semana se deixou estar regaladinho a dormir pelo menos até às 8h30, atrasando-te para o trabalho, porque não o queres acordar, está tão refasteladinho]. Grrrr.

sábado, 28 de julho de 2012

...

Ter um jantar agradável e caseirinho marcado em casa de uma amiga e estar com esta telha descomunal e esta dor de cabeça brutal e esta pseudo-depressão que me anda a ameaçar há anos a berrar-me aos ouvidos. Não me apetece vestir, não me apetece arranjar, não me apetece emendar esta lasca que acabei de fazer no verniz já de si muito precisadinho de reformar, não me apetece sair à pressa para comprar os presentes que devia ter ido comprar de manhã mas as voltas trocaram-se-me, não me apetece levar as sobremesas que fiz e não me calharam como eu queria. Telha, pronto.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por anormal que isto possa parecer

Hoje, ao ler este texto no Cocó na Fralda, pus-me a pensar na vida e no euromilhões. Eu jogo no euromilhões todas as semanas, se me lembrar. É óbvio que, se jogo, gostava - e tenho a legítima expectativa, deduzida das parcas probabilidades - de ganhar um prémio. Quanto aos 135 milhões... não sei se as coisas são assim tão lineares.

Pus-me a pensar, e chego à conclusão que, na verdade, não queria assim muito os 135 milhões. Posta a questão "ficas como estás ou queres 135 milhões?" tenho de pensar um bocadinho - não é nesse sentido que estou a falar. Mas, em caso de ser uma feliz vencedora do euromilhões, e podendo escolher teoricamente o meu destino, acredite-se que preferia mil vezes ganhar um ou dois milhõezitos do que a bolada inteira. Não só porque isso significaria que muitas mais pessoas teriam ficado felizes e mais endinheiradas; nem só ainda porque esses um ou dois milhõezitos já chegavam e sobravam para me deixar feliz e despreocupada, e à família e amigos também, pois os meus objectivos de vida não envolvem assim muito mais coisas materiais do que as que já tenho.

Na verdade, penso que o meu sonho nesta vida, a nível material, seria tão-simplesmente não dever nada a ninguém, ter um tecto sólido, ter um carro que dê para a famelga e outro que dê para o trabalho (somos dois adultos que precisam de dois carros, infelizmente para o ambiente), ter um pé-de-meia em caso de algum de nós ficar doente ou incapacitado, e um fundozinho de maneio para o meu único vício e luxo assumido (em stand-by, mas qualquer dia volto ao activo): ver mundo. Gadgets não ligo, a não ser ao iPhone, que já tenho (e foi comprado em segunda mão, o que eu nem sabia possível), roupas e sapatitos e malocas gosto sim senhor - afinal sou gaja - mas não sou de me perder nesse mundo.

Portanto, 135 milhões de euros eram pornograficamente excessivos para as minhas necessidades. Não preciso de tanto, e por outro lado - serei a única pessoa a quem ocorrem pensamentos negativos com tanto dinheiro em questão? E se se soubesse, se se tornasse público que eu era milionária à 135ª escala? Eu quereria partilhar esse dinheiro, e se alguma das minhas pessoas me delatasse? E se alguma das minhas pessoas se transformasse, me desiludisse? E se EU me transformasse? E se, de repente, eu passasse a ter AINDA mais amigos (que, felizmente, sou bem servida nesse campo, em número e em qualidade), daqueles que se aproximam pelo faro? E se alguém me raptasse o meu filho para pedir um resgate à milionária do euromilhões (eu vejo muitos filmes)? E se eu e o meu marido perdêssemos a perspectiva? E se este dinheiro causasse a cisão no meu casamento?

Ponderadas estas variáveis, antes pobre e feliz. Mas isso sou eu, que sou pessimista desde que nasci.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vou enlouquecer

A ausência justifica-se pelo excesso de versatilidade da minha pessoa. Tem filho, tem marido, tem trabalho (e se tem), tem mudança de casa. Tudo ao mesmo tempo, cocktail molotov. Primeira razão, mais prosaica, para o rés-enlouquecimento.

No entanto, numa versão mais agradável da perda de senso, sucede que ando a preparar, com a mudança, o quartinho a que finalmente o filhote vai ter direito. A par das pesquisas que tenho feito em busca de ideias (que criatividade não é propriamente o meu strong suit), as amigas têm ajudado com imagens e links, e é mesmo de uma pessoa ficar bazaruca perante tanta coisa gira que se faz e se quer copiar. Se fossem 10 quartos...





E, por fim, os meus preferidos. Estes, se alguma alminha com pinta de "Querido, montei um quarto" quisesse accionar a varinha de condão... Podiam ficar tal e qual.


sábado, 7 de julho de 2012

Porque eles não deviam ser tocados por infortúnio algum

Por todas as Bias, todas as Marias, todos os casos que conhecemos, presentes ou passados, futuros também. Já que não os podemos proteger de todo o mal, ajudemos. Da forma que pudermos. Não custa, mesmo. A Bia, aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

[Cansada]

De ouvir, ler, receber más notícias que envolvam crianças. Más notícias, daquelas mesmo más [as crianças deviam ser intocáveis. Intocáveis]. De não dormir o necessário para assegurar o funcionamento dos serviços mínimos. De me doer a cabeça todos os dias por não dormir o suficiente. Não mata mas mói. De ter a vida desorganizada. De ter o trabalho atrasado. De ter de contar os meus tostões. De crise. De ouvir falar de crise. De más decisões. De cortes estúpidos, os poucos que me afectam directamente e os muitos que não, ou indirectamente. De filosofias baratas. De injustiças, sociais e pessoais. De que não me deixem fazer o que quero. De ser mal entendida. De pessoas abusadoras. De me deverem o que é meu por legítimo direito, de caloteiros. De padrões morais comprados no chinês. De pessoas soberbas, cheias de si mesmas, arrogantes.
Hoje é sexta-feira e eu hoje estou muito. Muito mesmo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012